3 de mar de 2011

Um conto sobre uma princesa, sapatos e pin up’s


Esse é só mais um conto.
Não de fadas, pois esses não cabem mais aos dias de hoje.
Mas com maravilhas,
um reino (ou melhor,uma metrópole), e coisas estranhas.
Muito estranhas.
 Há também uma menina e seus desencontros,
 tristesas e um coração insensato, arredio,
insubordinável à razão.
 Poderia muito bem ser Alice o seu nome,
dado o surreal que virá nos capítulos que se seguirão.
Quem sabe Rapunzel, Cinderela,
ou o que acho mais adequado: Branca de Neve.
 Mas em nada ou em tudo nossa heroína com essas princesas se parece,
a não ser pelo fato de ser, claro, também uma princesa.
 Uma princesa do mundo de hoje,
mas com um pezinho meio século antes.
Sim, isso mesmo que você leu.
Curiosamente você verá que nossa personagem
 parece ter sido pintada da década dos laços e estampas de bolinhas,
 peptoes e sapatos veludados, saias e rendas, poses e tipos.
Uma década onde bocas meigas e olhares sensuais
podiam conviver na mesma pictografia. Na mesma expressão.
A personagem desse conto tem um ar pin, e a alma up.

São 5h15, o celular “melodeia”, insessante.
Uma lembrança doce no pensamento então surge feliz
 - “Buongiorno principessa!!!” -
se sente bem, ameaça um sorriso bobo de olhos fechados,
 mas logo a memória carinhosa se esmaece em meio ao sono.
Só mais cinco e eu vou, se promete.
Contudo, trinta segundos depois,
com a face e a alma amarrotada, se levanta.
Sabe que essa não é ela mesma e não se permite dar luxos ao tempo.
 Isso só iria desorientar sua rotina completamente over.
 Perder cinco minutos agora poderia significar perder o controle do seu dia.
E controle ainda é o seu lema.

Seu dia então começa: tira roupa, chuveiro, sabonete, água.
O calor da ducha lhe veste as pernas, quadril,
colo, dorso e ombros, em seguida a face.
Cabelos não - esses foram acarinhados por cuidados
 mais especiais na noite anterior.
 O sono quer persistir embalado pela água quente,
 mas ela deve continuar e despertar definitivamente.
Prossegue assim a rotina de ser
sua própria fada madrinha: escova, pasta, fio dental.
As roupas vão da cadeira no pé da cama
para seu corpo miúdo em poucos minutos.
 Tudo já estava separado,
da blusa de babado delicado à saia, do bolero à veste íntima.
 Ela põe tudo muito ligeiro, num piscar de olhos,
pois não há tempo a perder.

Vem então a arte davinciana de com tintas e pós coloridos
 (alguns nem tanto) dar retoques à pintura apreciada por tantos no dia que virá.
Estica-se a boca, faz se bico, achata-se um pouco para testar o charme.
 “Gostosa” - diverte-se com um auto-elogio.
Analisa o rosa que toma conta dos lábios de espessura normais,
 textura suave, com um leve achatadinho no lábio superior
como se “feito com o polegar e o indicador”.
Agita então um vidrinho, desrosqueia-o, pincela então acima de cada olho,
 três ou quatro vezes de cada lado, pausa.
 Um olhada de perfil, outro par de pinceladas em cada olho,
 e fecha-se o vidro.
Pega-se o lápis.
Ela então vai demarcando com o cuidado de um calígrafo
 o que antes era um mero rascunho pálido,
 transformando em arte final o mais misterioso elemento do seu ser:
 o olhar.

Agora sim o trato aos longos e levemente dourados cabelos.
Nessa tarefa, as ferramentas: escova, piastra, mãos, presilhas e grampos.
Cada mecha no seu lugar, cada onda com sua intenção,
e todos os fios sincronizados harmoniosamente.
Franja de lado, expressão de menina delicada.
 Pronto, próximo item.

Os pés pequenos, ainda descalços
 perambulam para todos os lados do quarto,
 enquanto a dona recolhe os itens necessarios para a jornada do seu dia.
 Escolhe então aquela que por hoje será o “recipiente” do seu universo feminino -
 uma bolsa vermelha de couro para combinar com o calçado.
As outras vinte terão a sua vez no mês que se segue
- e então e finalmente, escolhe os sapatos.
 Não são de cristal, mas como disse antes,
assim poderiam ser sem perder o contexto de nossa personagem.

Ela, então, se aconselha uma última vez com seu amigo,
 inimigo, confidente e carrasco -
ela é dura consigo, e ele com ela às vezes,
principalmente quando nossa princesa abusa de chocolate e sorvete.
O espelho caprichosamente lhe relata a mulher em sua frente.
Confere-se a silhueta, curvas, harmonia de cores e estampas.
Check list rápido: pernas, coxas, quadril, barriga, busto, cabelo,
rosto de boneca de porcelana.
 E por último - o que todo homem adoraria ter certeza
e eu sei que elas se preocupam - o bumbum.
Algumas graças em frente ao espelho
para levantar o ânimo do dia que começa.
 Agora sim, Karen, que venha o mundo!
Encoraja-se deixando a bela do reflexo para traz.


O presente mais lindo que já ganhei na vida. Obrigada, meu querido anônimo. ♥

6 comentários:

  1. é diferente quando se esta do outro lado, hj vc é a personagem, sedutora, encantadora, eu assistiria um filme sobre você, filme não, filmes são curtos e não conseguiriam te traduzir, mas um livro sim, quem sabe uma saga inteira de uma menina mulher com sonhos..

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  2. se vc soubesse(acho que sabe)quantas pessoas sao apaixonadas pela pessoa que vc é.....

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  3. Nossa, obrigada.
    É muito bom saber que há pessoas
    que se preocupam, que gostam de mim.
    Obrigada por você existir aqui. <3

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  4. Que gracinha esse texto e seu blog também!

    Seguindo!!

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    www.bomboneca.blogspot.com

    Bjss..

    Aline.

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  5. Obrigada, Aline! Um super beijo pra você. <3

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Muito obrigada pelo seu comentário.
Volte sempre! ♥

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